Paróquia de S. Cristóvão do Muro

Vigararia Trofa/Vila do Conde
Diocese do Porto - Portugal

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

D. ANTÓNIO BARROSO MORREU HÁ 98 ANOS

D. António José de Sousa Barroso, nasceu a 5 de Novembro de 1854 em Remelhe, Barcelos, e faleceu a 31 de Agosto de 1918 no Porto
Foi Missionário no Ultramar de 1880 a 1889; Bispo de Himéria de 1891 a 1897; Bispo de Meliapor de 1897 a 1899 e Bispo do Porto de 1899 a 1918
Lutou contra a perseguição feita à Igreja Católica na época da implantação da República Portuguesa
   
   
O processo de secularização de Afonso Costa, Ministro da Justiça e responsável pelos assuntos eclesiásticos, que conduz à expulsão das Ordens Religiosas, à extinção dos feriados religiosos e à extinção do ensino religioso, levam a que o episcopado se reúna na véspera de Natal de 1910, sendo elaborada uma Pastoral Colectiva pelos bispos de Évora e por D. António Barroso.
Este documento vem a ser do conhecimento do governo que proíbe a sua divulgação.
Embora discordando da proibição, D. António suspende a leitura da Carta Pastoral entre os párocos da cidade do Porto, explicando numa troca de telegramas com Afonso Costa que não consegue avisar a tempo todos os párocos de fora da cidade, onde o documento é divulgado nas missas.
Chamado a Lisboa por Afonso Costa, no dia 7 de Março de 1911 é julgado, condenado, preso e expulso da sua diocese do Porto, sendo desterrado para Cernache, a casa onde tinha feito a formação, por não acolher as medidas republicanas.
Entretanto, já depois da publicação da Lei da Separação no dia 20 de Abril de 1911, vai para a sua terra natal, Remelhe, no dia 10 de Junho de 1911.

No regresso ao Porto, em 3 de Abril de 1914, para continuar o seu ministério episcopal, reafirmou que o Porto é chão abençoado de liberdade, de trabalho e de fé.

Há uma frase de D. António Barroso – quando foi julgado - que é celebre: «Há duas coisas das quais sei que não irei morrer: parto e medo».

Em 1917 novo conflito o afasta da sua cátedra, mas por poucos meses, regressando ao Porto após o golpe de Estado de Sidónio Pais.

D. António Barroso sentindo que as forças se iam esgotando, decide redigir o seu testamento a 19 de Fevereiro de 1917, testemunhando com evidência a sua pobreza evangélica:

«Nasci pobre, rico não vivi e pobre quero morrer, em obediência e acatamento às sábias leis da Santa Igreja católica. Por isso, e salva a liturgia, quero que o meu funeral seja o mais pobre possível.»

A 31 de Agosto de 1918 morre no Porto.
Em 1927 o seu corpo foi transladado para uma capela monumento do Cemitério Paroquial de Remelhe.

D. António Barroso foi declarado "venerável" a 8 de Março de 2016, no âmbito do respectivo processo de beatificação.


Ainda sobre a vida e obra de D. António Barroso, transcrevemos parte da Homilia de D. António Francisco dos Santos na celebração do Dia da Voz Portucalense em 21 de Dezembro de 2014:

«Raras figuras da história religiosa dos séculos XIX e XX reuniram, como D. António José de Sousa Barroso, a admiração diante do seu dinamismo apostólico e da coragem da sua fé no contexto dos tempos frágeis do fim da Monarquia e dos desafios imensos colocados ao nosso País nos tempos conturbados do início da República.

A Voz Portucalense tem procurado esta proximidade com o senhor D. António Barroso, acompanhando também este caminho que vamos fazendo no sentido de manter vivo o interesse e intensificada a oração em prol da sua beatificação e canonização, cujo processo foi iniciado em 1992.

D. António Barroso nasceu a 5 de Novembro de 1854, em Remelhe, Barcelos.
Depois de frequentar o Colégio das Missões Ultramarinas de Cernache de Bonjardim foi ordenado presbítero a 7 de Junho de 1879 e em 1880 é enviado como missionário para Angola.
Em Angola inicia, em 28 de Dezembro desse ano, o múnus pastoral, como Superior da Missão do Congo.
Aí realiza um incansável trabalho missionário, até que, em 12 de Fevereiro de 1891, é nomeado Bispo Prelado de Moçambique.
Seis anos depois, a 2 de Agosto de 1897 é transferido para a sede episcopal de Meliapor, como Bispo diocesano, continuando um intenso trabalho de evangelização, agora no extremo Oriente.

Em 21 de Fevereiro de 1899, o mesmo dia em que, por coincidência, fui, 115 anos depois, nomeado Bispo do Porto, o senhor D. António Barroso foi transferido de Bispo de Meliapor para a sede do Porto.
Aqui recomeça a sua inesquecível acção pastoral, percorrendo a Diocese em visitas pastorais, cujos relatos da época nos revelam uma bondade profética e uma proximidade evangelizadora impressionante.

A coragem manifestada frente às atitudes irresponsáveis do Governo da República face à Igreja e a sua decisão ao determinar que fosse lida em todas as paróquias da Diocese a Carta do Episcopado português levaram-no ao exílio, para onde parte a 7 de Março de 1911.
Depois de vários processos de intenção e de julgamentos que inclusivamente o levaram à prisão, D. António Barroso, regressa do exílio que viveu na sua aldeia natal, em Remelhe, Barcelos, a 3 de Abril de 1914, para retomar o seu múnus de Bispo do Porto, no dia seguinte, em celebração festiva nesta Sé.

Demos graças a Deus por este nosso Bispo, que serviu a Igreja do Porto e a Igreja Universal, em tantas e delicadas frentes de missão.
Rezemos para que de Deus possamos merecer a sua beatificação e canonização.
Tudo procurarei fazer nesse sentido!»



Sobre o debate dos deputados para tratar do castigo imposto ao bispo do Porto, D. António Barroso, disponibilizamos a parte do período antes da ordem do dia do Diário da Câmara dos Deputados, Sessão n.º 114, de 8 de Agosto de 1917.


Em 24 de Março de 1914 uma comissão de senhoras do Porto assinou um contracto de arrendamento do palacete e quinta de Sacais para a instalação do Paço Episcopal e residência de D. António Barroso, tomando o compromisso do pagamento da renda e outras despesas.
É aí que D. António vem a falecer no dia 31 de Agosto de 1918.



Carta da Rainha D. Amélia, datada de 1 de Outubro de 1910, 4 dias antes da sua partida para o exílio, a agradecer a D. António Barroso a cedência do busto relicário de S. Pantaleão para ser desenhado pela Rainha:

Meu caro Bispo do Porto,
Aproveito a occasião de lhe agradecer os objectos da sua Sé e que acabei de desenhar para lhe dizer quanto me sensibilizou o artigo de fundo do “Correio do Norte” do dia 28 de Septembro.
O artigo é do Abundio da Silva que conheço, e cujo talento tenho muita vez occasião de appreciar mas sei que, meu caro Bispo do Porto, protege o jornal que tão sensatamente, com tanta justiça e desassombro tem levantado a voz, e por isso queria que soubesse fiquei muito penhorada com o “Correio do Norte”.
E muito gostaria de particularmente o Abundio da Silva pudesse saber dos meus agradecimentos

Tenho os objectos encaixotados e peço ao Reverendíssimo Bispo me diga se os quer mandar buscar ou se quer – o que é tão fácil – que eu os mande.

Peço-lhe me creia sempre a com o maior respeito.

Sua muito affeiçoada

Amélia”.



Boletim de D. António Barroso, III Série, Ano IV, N.º 10, Janeiro / Março de 2014, editado pela Associação "Grupo dos Amigos de D. António Barroso".


Bem perto de nós, no dia 11 de Setembro de 1904, D. António Barroso benzeu a cruz levantada no alto da Santa Eufémia da Carriça em homenagem a Nosso Senhor Jesus Cristo Redentor.





Este ano, a habitual Romagem a D. António Barroso vai realizar-se no dia 4 de Setembro de 2016, conforme programa divulgado pelo Arciprestado de Barcelos:



Fontes: Diocese do Porto; Agência Ecclesia; Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura; Arciprestado de Barcelos; Boletim de D. António Barroso; Junta de Freguesia do Bonfim; Assembleia da República


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